Monday, October 27, 2008

Chegada a Bissau.






Foi no dia 15 de Julho de 1972, chegamos ao Figo Maduro de madrugada, vindos do RI15, Tomar, embarcamos por volta das 10 horas, com destino à Guiné, Leste, Nova Lamego, a viagem decorreu na normalidade para quem fazia o seu baptismo de voo, "quase todos", acho eu, pelas 12,20 o avião dos TAM, (transporte aéreo militar), imobilizou-se na placa, o pessoal prepara-se para sair, um a um lá se vão aproximando da porta, quando foi a minha vez, tive a sensação de que estava à porta de um forno, o ar estava abafado e o céu nublado, de imediato foi um despir blusões, arregaçar mangas de camisa, desapertar gravatas por todos os lados, mais parecia um campeonato qualquer de stiptease sem que ninguém desse o tiro de partida.

Após os procedimentos legais, tais como, dar vacinas a alguns que não sei porquê não as tomaram na Metrópole, contar o pessoal, não tivesse fugido algum pelo caminho, tudo isto feito dentro do barracão em Bissalanca. Após algum tempo e completo o serviço, vai de saltar para umas berliets que esperavam por nós cá fora e nisto começa a chover e a trovejar, parecia inverno na minha Lisboa, mas diferente porque ao mesmo tempo fazia muito calor, o que me fez muita confusão pois não sabia que era assim, nenhum "meteorologista" em 9 meses que já levava de tropa, no meu caso, se tinha dado ao trabalho de explicar minimamente o que iríamos encontrar nas províncias ditas Ultramarinas e em especial na Guiné devido à proximidade do trópico. Também foi chuva de pouca dura como começara acabou, uma novidade a juntar a tantas outras que comecei a coleccionar desde aquele momento.

Pouco depois cheguei a um quartel que vim a saber mais tarde chamar-se Deposito de Adidos localizado em Brá, onde no dia seguinte ao almoço vi um acto que para mim talvez tenha sido o mais chocante até à data da minha vida. Miúdos no refeitório do lado de fora porque nem sequer os deixavam entrar, com recipientes de vários tipos e feitios a mendigarem uns restos de comida, camaradas da "velhice", misturaram tudo, literalmente, como restos de sopa, espinhas, batatas e cascas de fruta tudo o que era lixo para darem as crianças, mais tarde pude verificar que o defeito era dessa unidade que juntava pessoal de todas as zonas do mato, o que em situações como esta. é propício a juntar sempre pouca coisa boa.

Na colecção, felizmente também houve algumas coisas boas que ainda hoje recordo e, uma delas na parte que toca à linguagem começou com: machimbombo, porque era necessário para chegar a Bissau, já dentro deste aprendi a palavra catinga, (manga dela), depois peso para pagar o bilhete, patacão, bazuka, da fresquinha e por aí fora.

Dia 20, como era da praxe, também tivemos a recepção de boas vindas, o cmdt-chefe deu um pulinho até Brá e lá discursou, como todos os que foram à tropa sabem bem como era, desfile do costume e mais uns "prontos a serem despachados até ao destino, Bambadinca e Nova Lamego.
OBS: Olha como eles eram tão verdinhos! ....CONTINUA.

1 comment:

Unknown said...

Pá estás mesmo velhote, achas que vale a pena recordar depois de toda a gente nos chamar de mercenários ao serviço do colonialismo.

Mas gostei, estive contigo no Gabu era da CCS do Batalhão de Cavalaria furriel miliciano mecanico de armamento Luis Farias de Sousa, de armamento pouco arranjei mas o Comandante arranjou-me que fazer se te lembrares fui eu que reconstrui o destacamento de Sinchã Alfa na estrada de Cabuca com os grupos de milicia de Ocomaunde e fiz a pista de treino dentro do quartel.
Camarada um grande abraço e muitas felicidades, o meu mail é luisfilipefariasdesousa@gmail.com