Sunday, November 30, 2008


Esta é a imagem actual, (Google), do ex/quartel das nossas tropas em Nova Lamego, do quartel existe o quadrado, onde havia minas, hoje há casas, inclusive nas traseiras onde vi incontáveis vezes o por do sol.

...CONTINUANDO.

Reforço foi o único que fiz, quando cheguei a Bissau depois de umas férias merecidas e enquanto aguardava transporte para casa (Nova Lamego). fui brindado com um piquete nos Adidos, emprestaram-me uma FN e lá fui dar uma volta de Unimog 411 junto ao arame farpado que rodeava Bissau.

Depois deste atalho voltamos ao dia a dia.

No dia seguinte fomos apresentados ao Alf. TRMS Pinto Ferreira, homem do Porto, excelente pessoa, nunca chateou ninguém pelo menos durante o tempo que estive a trabalhar com ele, ainda não o disse mas este Bcav. 3854, já estava na Guiné quando da nossa chegada à 12 meses e 5 dias, fomos distribuídos entre o posto radio e o centro de mensagens, na proporção do Pelotão dos velhinhos, inicialmente fui para o rádio, aquilo nada tinha a ver com a especialidade, tirada em Lisboa no BC 5, o que nesta aprendemos foi para esquecer, reaprendemos tudo de novo e para isso nada melhor do que pessoal com prática, muita, ao 3º dia logo pela manhã quando entrava-mos no centro de trms, perguntaram quem se chamava Santos, respondi, e enviaram-me para o centro de msg, ficava na sala ao lado, por troca do camarada Vasco que segundo me foi dito não se tinha adaptado, ainda não estava completamente esquematizado com o posto radio e já me mandavam para outro serviço que nada tinha haver, mas era preciso aprender e depressa, para isso tive os ensinamentos do homem que fui render assim como dos 3 homens do Bat. que compunham a equipa de 4 operadores de mensagens, foi só necessário aprender o método de trabalho, os códigos não era preciso encaixar porque mudavam de 11 em 11 dias enviados para todo o CTIG, metodicamente pela cheret em Bissau.

Após a sobreposição, o Pel. rendido 2267, marchou para Bissau para regressar a casa, e como outras vezes a cena repetia-se, ficávamos com inveja de não sermos nós, mas aos poucos tudo voltou ao que seria a rotina. Para mim no centro de msg, 8 horas de serviço descanso de 24 e assim sucessivamente, uns dias depois estava na caserna com alguns camaradas e de repente um barulho enorme, maior talvez do que a saída de morteiro que essas já eu conhecia do IAO, pegar na arma e saltar para a vala não me lembro como, só sei que já la estava com o coração a querer saltar pela boca quando outro disparo é ouvido e nós a olhar para o mato e nada, até que o telefone do posto do morteiro ali ao lado da caserna toca e anunciam que não era nada tinha sido um teste de canhão sem recuo mandado executar pelo Hitler, para assustar os piras do Pel. Daimler 8670, que tinha chegado nesse dia, para render o 3006, mas, acabou por assustar também os Morteiros, fez, o hoje chamado 2 em 1. Só para completar, o teste foi feito dentro do quartel no espaldão onde estava estacionado o Willes com o canhão montado, resultado além do cagaço, dois bidons cheios de terra amolgados como se estivessem vazios e grande parte dos vidros das janelas da messe de sargentos partidos.

ÁS 00,10 de 07 Setembro ouvi pela 1ª vez as saídas do foguetão terra/terra 122 mm, os impactos, felizmente erraram, mas, estrondo e o clarão foram logo de seguida ouvidos e vistos, a partir daí pensei para os meus botões, "afinal isto è a sério", os foguetões não eram muito certeiros pelo menos para o meu lado, mas, que desmoralizavam disso fiquei sem duvidas.

.continua...


Thursday, November 13, 2008

Primeiro Impacto.




A miniatura do estandarte Pel. Mort. 4574 que chegou aos nossos dias, são os anos!

Já repararam pelo que contei no ultimo poste, que foi o Gregório o meu cicerone e conselheiro "militar", nos primeiros tempos em Nova Lamego, soube à dias que infelizmente já faleceu, como grande amigo que fui, sou e serei, para ele a minha homenagem, porque é nos momentos dificeis que passamos é que nós sabemos quem são os verdadeiros amigos que, quanto a nós pelos tempos passados na nossa adolescência já não havia duvidas. Quando tive o 1º ataque de paludismo, e não sabendo o que aquilo era deixei-me andar; parecia uma gripe, havia de passar pensava, errado, estava de serviço no centro de mensagens do Batalhão e não podendo mais, alguns colegas pegaram em mim ao colo já não tinha força nas canetas e transportaram-me para a enfermaria que na época ainda funcionava no quartel velho no centro de NL, e o Gregório embora tivesse uma intensa actividade operacional não faltou, varias vezes, para inteirar-se do meu estado e saber se era preciso alguma coisa, camaradão! safei-me por pouco, apesar de estar super medicado com tudo o que havia, mesmo assim de madrugada foram levantar o médico à cama porque eu não estava bem, passei nesta enfermaria 4 dias e fui com um camarada africano estrear a nova no quartel novo e ainda lá passei 2 ou 3 dias só depois é que tive alta médica.



O verso do mesmo.



Tive mais cinco vezes o paludismo, de tal maneira era afectado que comecei a ter o meu stock no armário com o quinino necessário e disponível para qualquer eventualidade, lembro-me que no final já depois do 25 de Abril, a escassez de medicamentos era muita, um dos enfermeiros foi ter comigo para fornecer uma dose para outro camarada atrapalhado com o bichinho e não havia em NL com que tratar o homem.

Depois deste preâmbulo, voltemos aos primeiros dias dos muitos passados em NL, no segundo dia depois de dormir no chão, foi assim os primeiros tempos até que recebemos as camas de ferro, e finalmente começamos a ter uma caserna mais composta mais arrumada. Nesse dia os transmissões foram escalados para fazer reforço, segundo as primeiras informações tiradas junto dos nossos velhinhos era coisa que não faziam por lá, só e exclusivamente trabalho no centro de transmissões com as respectivas saídas para a rua quando fosse necessário e por escala. Atribuíram-nos um posto onde ninguém fazia serviço, próximo da estrada alcatroada, principal via de acesso ao centro de NL, e também muito perto de um aglomerado de moranças junto ao arame, soube mais tarde, contarei outra deste militar, que tinha sido uma partida do Hitler, ele gostava de pregar partidas, cagaços, aos piras, podia-lhe ter saído caro pelo menos moralmente, como se verifica mais à frente, mas também é verdade que quem se lixa sempre é o mexilhão, Nunca tínhamos feito qualquer reforço, a experiência era zero, Chegada a hora lá fomos e digo e digo "fomos" porque entretanto convenci o Graça a fazer o turno comigo, porque ele desde que fomos mobilizados não andava bem psicologicamente e em companhia a coisa devia passar melhor, conversamos sobre algo que já não lembro e daí por pouco já eu falava sozinho porque ele entretanto adormeceu, fiquei a olhar para o arame e para as moranças e não fosse sair de lá algum turra, tudo isto iluminado por holofotes alimentados por gerador, junto ao posto estava uma vala com um espaldão com breda, nas paredes da dita estavam embutidos bidões ou parte deles, com cunhetes de munições, granadas ofensivas e defensivas, enfim uma fartura a constratar com a falta de balas de G-3 na viagem de Bissau para NL, no arame aqui e além garrafas de cerveja penduradas aos pares , ainda não tinha percebido bem para quê mas, não demorou muito porque entretanto entrou em cena um pequeno esquilo que aparecendo do nada saltou para o arame fazendo com que o alarme disparasse, isto é, as garrafas tilintaram e eu claro assustei-me saltei para a vala agarrei na breda pois o instinto dizia-me que não era assunto para a minha G-3 agora com munições, no meio disto tudo acabei por ter a calma suficiente para primeiro tentar perceber o que se passava e acabei por entender que era só um esquilo do tamanho de um palmo e assim não carreguei nos botões de "punho" da breda e não limpei as moranças logo ali em frente, mas que esteve quase esteve! entretanto o "sócio" continuava a dormir.
....CONTINUA.

Friday, November 7, 2008

Quartel Novo de Nova Lamego.




Esta imagem é da porta de armas do quartel onde passei 24 meses.






Mal as berliets se imobilizaram, vai de saltar para o chão e descarregar a mobília, estafados e ainda a pensar na mãezinha, eis que deparamos com uma figura que se destacou dos restantes, não só por ser major, mas também pelo seu vozeirão, era 2º cmdt e acumulava com oficial de op. do Bat. Cav. 3854, fez questão de nos receber logo à porta de armas, e de imediato mandou formar, nem nos deixou respirar já de si difícil para um Pira pouco habituado aqueles ares! o seu nome Martins Ferreira, disse-o ele, a alcunha soubemos pela surdina, Hitler, e o cmdt é que tinha nome atirar para o alemão, de seu nome completo, António Malta Leuschner Fernandes, Ten-Cor. de Cavalaria, completamente diferente de feitio, tinha os seus dias mas, na maioria deles era bastante calmo, o Hitler, só não berrou com o Alferes Marcelino da Mata, numa das visitas feitas por este a Nova Lamego, de resto berrava com todos com algumas excepções superiores é claro.


Após a formatura e o blá blá do costume, que era quase sempre igual, lá fomos para um palacete, localizado nas traseiras do quartel com vistas para a mata e campo de minas, de ambos os lados sensivelmante à mesma distancia, poucos metros à esquerda o gerador e a direita o paiol, quase a estrear vazio sem mobiliário todo amplo, situação que se manteve por uns dias, até que finalmente recebemos as camas e o meu "velhinho" ofereceu-me o caixote de tábuas, que fazia as vezes de armário, aí chegados apareceu o bendito do homem do SPM e aquilo é que foi um distribuir de cartas acumuladas desde a nossa chegada que já fazia uma semana, (um século), nunca mais se repetiu tanta fartura de correspondência nos 2 anos seguintes, estava cada um para o seu lado, eu sentado em cima de um dos meus "chouriços", saco com parte da mobília que todos se lembram, de costas para a porta, também para evitar que fosse visto a verter uma ou outra lágrima mais teimosa, a ler com sofreguidão as noticias da família, nem prestava atenção a algumas notas de cem escudos que chegaram misturadas, e eu parvo na resposta escrevia ao pessoal que não era preciso dinheiro que aquilo ali era tudo muito bom, comida era do melhor, grande aldrabão! não é que acreditaram e as notitas começaram a rarear, e que falta faziam! entretanto ouvi uma voz que me pareceu conhecida, esta aqui alguém de Lisboa! olhei para trás, porque de Lisboa naquele pelotão só eu e/ou o Graça, era o Gregório Gil Gaudêncio, um amigo de alguns anos que eu não sabia que estivesse por aqueles lados, pertencia a Ccaç. 3565, companhia de intervenção às ordens do CAOP2, portanto uma comp. de apaga fogos, fogueiras, e até incêndios, e o maior foi em 1973 construir de raiz, do nada um destacamento no Catanhez, e pelo que na altura este amigo me dizia através dos poupa selos, levaram muita porrada.


Acto continuo grande abraço e convite a largar as cartas, pois tinha muito tempo para as ler, experiência de velhinho com cerca de 3 meses daquelas andanças, bem depois de alguma insistência lá fui levado a ver os cantos à cidade, leia-se; cafés e afins, beber umas cervejas, estava no inicio e ainda não era artilheiro com a especialidade de bazukas, mas garanto-vos que ganhei experiência rapidamente, entretanto demos um pulo ao quartel dos paraquedistas onde o Gregório tinha um primo 1º cabo que era o (taberneiro) do bar, a companhia não me recordo a qual ele pertencia.
Nova Lamego, escrevo sempre assim, porque era assim quando lá estive, não tenho nada contra o nome actual Gabu, este nome não é obra do acaso, já na época Gabu Sará era a zona administrativa como se fosse um distrito da qual Nova Lamego era a capital, o administrador era Cabo verdiano de seu nome Salomão, assim para o gordinho a constratar com 99% da população que eram exactamente o contrário, embora a zona Gabu muito mais ampla, inclusive transbordava as fronteiras actuais, já existisse antes dos Portugueses chegarem aquelas paragens, como sabemos Nova Lamego era uma terra pequena embora fosse considerada como a 3ª mais importante da Guiné, depois de Bissau e Bafatá, tinha um Hospital civil pequeno, um cinema de seu nome cine-Gabu, uma cadeia, uma igreja católica uma mesquita que eu conhecia não sei se havia mais e uma central eléctrica com 2 grupos geradores granditos, no entanto em termos militares era o inverso, ao sector L-3 estavam atribuídos na época: CAOP2, Pmc, Bat. Cav. 3854, CCS mais as suas 3 companhias, Ccaç. 3565, uma comp. Paras que se revezavam todos os meses, Ccaç. 5, 1 Pel. Mort., 1 Pel. Art. Obuses, 1 Pel. Rec. Daimel, 1 Pel. AAA, STM, SPM, 8 Pel de Milícias, e a partir de 1973, 3 GE Milícias, estes treinados em NL pelos homens do então Alferes graduado Marcelino da Mata, e mesmo assim os turras escorregavam por entre os dedos do pessoal.


.... CONTINUA.