Esta imagem é da porta de armas do quartel onde passei 24 meses.
Mal as berliets se imobilizaram, vai de saltar para o chão e descarregar a mobília, estafados e ainda a pensar na mãezinha, eis que deparamos com uma figura que se destacou dos restantes, não só por ser major, mas também pelo seu vozeirão, era 2º cmdt e acumulava com oficial de op. do Bat. Cav. 3854, fez questão de nos receber logo à porta de armas, e de imediato mandou formar, nem nos deixou respirar já de si difícil para um Pira pouco habituado aqueles ares! o seu nome Martins Ferreira, disse-o ele, a alcunha soubemos pela surdina, Hitler, e o cmdt é que tinha nome atirar para o alemão, de seu nome completo, António Malta Leuschner Fernandes, Ten-Cor. de Cavalaria, completamente diferente de feitio, tinha os seus dias mas, na maioria deles era bastante calmo, o Hitler, só não berrou com o Alferes Marcelino da Mata, numa das visitas feitas por este a Nova Lamego, de resto berrava com todos com algumas excepções superiores é claro.
Após a formatura e o blá blá do costume, que era quase sempre igual, lá fomos para um palacete, localizado nas traseiras do quartel com vistas para a mata e campo de minas, de ambos os lados sensivelmante à mesma distancia, poucos metros à esquerda o gerador e a direita o paiol, quase a estrear vazio sem mobiliário todo amplo, situação que se manteve por uns dias, até que finalmente recebemos as camas e o meu "velhinho" ofereceu-me o caixote de tábuas, que fazia as vezes de armário, aí chegados apareceu o bendito do homem do SPM e aquilo é que foi um distribuir de cartas acumuladas desde a nossa chegada que já fazia uma semana, (um século), nunca mais se repetiu tanta fartura de correspondência nos 2 anos seguintes, estava cada um para o seu lado, eu sentado em cima de um dos meus "chouriços", saco com parte da mobília que todos se lembram, de costas para a porta, também para evitar que fosse visto a verter uma ou outra lágrima mais teimosa, a ler com sofreguidão as noticias da família, nem prestava atenção a algumas notas de cem escudos que chegaram misturadas, e eu parvo na resposta escrevia ao pessoal que não era preciso dinheiro que aquilo ali era tudo muito bom, comida era do melhor, grande aldrabão! não é que acreditaram e as notitas começaram a rarear, e que falta faziam! entretanto ouvi uma voz que me pareceu conhecida, esta aqui alguém de Lisboa! olhei para trás, porque de Lisboa naquele pelotão só eu e/ou o Graça, era o Gregório Gil Gaudêncio, um amigo de alguns anos que eu não sabia que estivesse por aqueles lados, pertencia a Ccaç. 3565, companhia de intervenção às ordens do CAOP2, portanto uma comp. de apaga fogos, fogueiras, e até incêndios, e o maior foi em 1973 construir de raiz, do nada um destacamento no Catanhez, e pelo que na altura este amigo me dizia através dos poupa selos, levaram muita porrada.
Acto continuo grande abraço e convite a largar as cartas, pois tinha muito tempo para as ler, experiência de velhinho com cerca de 3 meses daquelas andanças, bem depois de alguma insistência lá fui levado a ver os cantos à cidade, leia-se; cafés e afins, beber umas cervejas, estava no inicio e ainda não era artilheiro com a especialidade de bazukas, mas garanto-vos que ganhei experiência rapidamente, entretanto demos um pulo ao quartel dos paraquedistas onde o Gregório tinha um primo 1º cabo que era o (taberneiro) do bar, a companhia não me recordo a qual ele pertencia.
Nova Lamego, escrevo sempre assim, porque era assim quando lá estive, não tenho nada contra o nome actual Gabu, este nome não é obra do acaso, já na época Gabu Sará era a zona administrativa como se fosse um distrito da qual Nova Lamego era a capital, o administrador era Cabo verdiano de seu nome Salomão, assim para o gordinho a constratar com 99% da população que eram exactamente o contrário, embora a zona Gabu muito mais ampla, inclusive transbordava as fronteiras actuais, já existisse antes dos Portugueses chegarem aquelas paragens, como sabemos Nova Lamego era uma terra pequena embora fosse considerada como a 3ª mais importante da Guiné, depois de Bissau e Bafatá, tinha um Hospital civil pequeno, um cinema de seu nome cine-Gabu, uma cadeia, uma igreja católica uma mesquita que eu conhecia não sei se havia mais e uma central eléctrica com 2 grupos geradores granditos, no entanto em termos militares era o inverso, ao sector L-3 estavam atribuídos na época: CAOP2, Pmc, Bat. Cav. 3854, CCS mais as suas 3 companhias, Ccaç. 3565, uma comp. Paras que se revezavam todos os meses, Ccaç. 5, 1 Pel. Mort., 1 Pel. Art. Obuses, 1 Pel. Rec. Daimel, 1 Pel. AAA, STM, SPM, 8 Pel de Milícias, e a partir de 1973, 3 GE Milícias, estes treinados em NL pelos homens do então Alferes graduado Marcelino da Mata, e mesmo assim os turras escorregavam por entre os dedos do pessoal.
.... CONTINUA.

1 comment:
Em nova Lamego esteve um irmão meu depois de eu regressar de Angola incluindo naturalmente Pirada, e creio ter sido durante o ano de 1969 1970,era conhecido pelo Alferes Miliciano Américo Ângelo Operações Especiais Rangeres.
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