Tuesday, December 30, 2008

Lavadeira

Para não fugir à rotina, penso que, foi igual para todos ou quase, também eu fui confrontado com a necessidade de contratar uma lavadeira, apesar que quando saí de Lisboa pensar que ia passar os 21 meses, que diziam ser o tempo da comissão a tratar da roupa, coisa que nunca tinha feito até à data nem sabia fazer. a falta de informação era gritante quer sobre este assunto, como a meteorologia a população que iríamos encontrar com a diversidade de etnias e religiões tudo diferente do que estávamos habituados, etc. Não me atrapalharia porque não estava habituado a se-lo e além disso a tropa mandava desenrascar, aí o meu velhinho encarregou-se de dar uma mão e encaminhou-me para a Rosa que já era a sua lavadeira, apesar de ter sido assediado por umas quantas, confesso que estava a ficar baralhado com a escolha, a oferta era maior que a procura no intuito de angariar clientela e sempre eram 50 pesos por cada militar manga de patacão, o que ajudava no orçamento da morança, e foram assim os primeiros dias para os novos piras de Nova Lamego.

E foi assim que passei a ter pela primeira vez na minha vida uma lavadeira externa, porque até essa data, incluindo 9 meses de tropa na Metrópole, e desde que nascera tinha sido sempre a minha mãe.

A Rosa, era uma bajuda Fula com 14 anos, pequena como a idade, tímida mas, muito competente com a minha roupa, foi minha lavadeira só uns meses porque entretanto seguiu o destino de qualquer bajuda da sua etnia, foi vendida, a um homem grande de Piche, (ou já estava à muito?), esta palavra é dura mas verdadeira e penso que ainda hoje acontece, tenho esperança que não seja tanto como naquele tempo, o nada, seria óptimo para aquelas meninas. Quando a voltei a ver uns meses, aconteceu só uma vez, parecia uma velha, e não a adolescente jovial e alegre que era... lembro ter ficado bastante chocado.

Portanto como a vida continuava, tratei de assegurar os serviços de outra e depois outra, não sei porquê mas ao todo foram seis, a ultima até arranjou peças de roupa para a troca, como é habito dizer-se, para que nada falta-se no espólio o que de facto aconteceu quando o fiz em Lisboa no RAL 1 na Encarnação no dia 1 de Agosto de 1974, quando pediam determinada peça entregava quase tudo a mais. A Rosa era diferente o pouco tempo de lavadeira da minha roupa nunca faltou nem sobrou peça, foi a minha preferida e eu até fazia visitas à morança a família era numerosa como era normal, com eles aprendi alguns dos seus costumes, tenho algumas fotos com elementos da sua família entre eles algumas crianças de quem gostei e sempre protegi, não me lembro de visitar as outras lavadeiras e nem sequer sabia onde moravam.


Trouxa de roupa para a lavadeira, Rosa.

Continua.....




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